A Profecia de Lumni – Capítulo 1

Caros leitores. Desculpe-me o sumiço prolongado. Sabem como é. Defesa de mestrado, estudar para o CPE e revisões e revisões, e aulas e aulas. Mas hoje é um dia diferente! Não lembro se havia comentado que estava escrevendo um livro, ou pelo menos tentando terminá-lo após anos. Pois bem. Essa é a novidade. Terminei meu livro. E não podia deixar de compartilhar com vocês.

Pretendo postar um capítulo por semana.

Também criei um profile no Watpad.

Sem mais delongas, conheçam o Mundo Lumni.

A Profecia de Lumni 

Capítulo 1

A Revelação

 

Caro leitor, o que está por vir pode parecer como se um raio tivesse aparecido em um piscar de olhos (e isso realmente acontece). A consequência da tragédia foi tão rápida que vocês pensarão que a cronologia desta história se passa em apenas um dia. É quase isso. Quer dizer, após a tragédia e após a visita do advogado da família, a vida da nossa protagonista e do mundo que ela (des)conhece será muito diferente e confuso.

Vamos ao início. O bairro era de nome esquisito: Céu Azul.

O Sol irradiava sua luz pela janela de vidro do terceiro andar. Eram 6h20 da manhã, e ninguém tinha acordado ainda. A Rua dos Souvre era pacata e pacífica, principalmente na casa de nº 19. Lá, vivia uma família que se amava muito, mas por circunstâncias ainda desconhecidas, o chefe da família e a mãe morreram em um trágico acidente de avião. Ellie já estava quase alcançado a maioridade, ainda tinha 16, quando soube da morte de seus pais. Não foi fácil para ela. Pude observar desde o início como essa menina se sentiu desamparada por saber que iria morar sozinha nessa casa por não sei quantos anos[1]. Mesmo que fosse difícil, Ellie não poderia reclamar, poderia? A casa tinha três andares, banheiros privativos e quartos gigantescos. Além de uma garagem com três carros populares, a decoração era simples e moderna, bem característica do casal Campbell.

A mãe, Helena, era ótima na cozinha. Chefe de um grande restaurante italiano, trabalhava todos os dias, das 12h às 22h. Ganhava bem para isso, obviamente. Na casa de Ellie havia apenas comidas gostosas e deliciosas. Ellie aguardava Helena todos os dias para o jantar porque sua mãe sabia fazer uma macarronada maravilhosa.

Helena era morena, tinha poucas rugas, seus olhos eram castanhos. Era quase do tamanho de Ellie, de estatura média. Seu cabelo ondulado era grande, por isso Helena gostava de usar rabo de cavalo. “Ellie, é muito mais prático!”, dizia. Helena também nunca tirava um colar com a foto de quando Ellie era pequena. Conhecida por ser destemida, a mãe de Ellie não tinha medo de falar a verdade.

O pai, Moacir, era médico. Tinha plantão diariamente e, com isso, passava grande parte de seu tempo longe da família, provocando um distanciamento já previsto. Era o pai que sempre olharia bem no fundo dos olhos da filha e seria racional, avisando dos perigos, fazendo perguntas que nem sempre Ellie conseguiria responder. Moacir em nenhum momento de sua vida apresentou sinais de raiva ou estresse, mesmo com o dia a dia corrido e triste que vivenciava. Seus cabelos grisalhos já evidenciavam que o tempo estava passando rápido demais. Usava óculos e sempre portava um relógio no punho esquerdo. Dificilmente você veria Moacir com roupa informal. Calça e camisa social eram suas peças favoritas, independentemente da estação.

Os seus olhos claros davam a impressão de que podiam transformar a escuridão em luz. E ele tentava observar o lado bom de tudo que estava acontecendo. Ele acreditava em destino.

Ellie era uma estudante que viu seu mundo desabar no dia 13 de julho de 2013. Estudante do segundo ano do colegial, era rebelde. Tinha amigos, mas não os considerava o suficiente para ter um relacionamento puro. Ela realmente não se importava com isso. Sua rotina era basicamente ouvir música, fazer seus deveres e ler livros. Não saía, preferia ficar em casa. Ela era muito bonita. Não era tão alta e nem muito baixa, era magra e tinha o cabelo cor de ouro, bem platinado. Ela gostava de si mesma. Adquiriu feições de seus pais conforme o tempo foi passando, entretanto as brigas eram constantes. Ellie não admitia que seus pais trabalhassem tanto. E sua educação? E sua família? “Família tem de ficar junta, pelo menos uma vez por semana!!!”, ela dizia. Mas, seus pais, procurando o bem de Ellie, constataram que era necessário trabalhar para prover a família e seus bens. Ellie realmente não se importava com os bens. Gostava deles, mas sabia viver sem.

Logo após a morte de seus pais, Ellie foi convidada a morar com um casal de vizinhos (Ellie não tinha família) e isso não surtiu efeito nenhum na cabeça da menina. Por isso que Tomas foi designado para cuidar dela, mesmo que ambos não queriam. Não aceitava que nunca mais veria seus pais. Não queria aceitar. O advogado do caso, senhor Oliveira, tinha perguntado a Ellie sobre a casa na Rua Souvre nº 19.

− De acordo com o testamento de seus pais, eles lhe dão o direito de fazer qualquer coisa com a casa após você completar 18 anos.

− Como assim, testamento? Quando foi escrito? Não, não pode ser.

− Isso é uma informação confidencial. Não posso lhe dizer, mesmo se você implorasse. É sigilo entre advogado e cliente.

− Ah, é? Eu acabo de perder meus pais e você está preocupado com o sigilo? Eu acabo de perder meus pais e você não pode me dizer quando meus pais escreveram essa droga de testamento? Como eles ousam deixar essa casa para mim? Eu não trabalho! Eu não sei o que vou fazer… eu… ia… ter que mudar de escola ainda por cima, fazer novos amigos, não, não… – parou contendo-se para não derrubar a lágrima em frente do advogado idiota. – Meus pais… se foram…

− Senhorita Ellie, desculpe-me. É óbvio que você está passando por um momento doloroso. Podemos conversar outro dia. Sem problemas. Desculpe-me novamente. Você pode viver aqui, se preferir. Seus pais deixaram algumas pendências, mas podemos encontrar uma forma de resolver isso eventualmente. Conheci Frank e Anastácia, eles eram ótimos pais. Não sei como a senhorita deve estar se sentindo, mas… Bom, vou deixar você se decidir. Até logo.

Embora inconveniente, o advogado Oliveira deixou a casa apressado após esse encontro, pois tinha dito algo que era também sigiloso. Ellie percebeu, mas não quis questionar, afinal não iria receber nenhuma resposta certa. Por essa razão, em vez de sair correndo, gritando ao mundo como era perder os pais, foi para o seu quarto chorar. Não tinha ninguém com quem conversar. Com certeza pensariam que ela era uma coitada. E Ellie não queria que olhassem para ela com pena. Mas sabia que não voltaria para escola tão cedo. Não porque tinha medo, e sim pela impossibilidade de seguir a vida tão facilmente após o acidente. Ellie havia se dado conta que iria para o colegial e, num ímpeto, decidiu que não iria mais para escola. Ela sabia que precisava ficar sozinha o tempo que fosse necessário até conseguir continuar a sua vida o mais naturalmente possível.

Ellie não tinha mais ninguém. Tio, primo, prima, avó. Seus pais diziam que eles moravam muito longe e que não tinham como contatá-los. Sua mãe lhe contou uma vez que houve uma briga muito intensa, fazendo com que a família se separasse por completo. Por mais estranho que possa aparecer, Ellie tinha Tomas, mesmo que não fossem próximos, mesmo que Ellie não o considerava nem como amigo. Era apenas alguém. Tomas tentava organizar a vida de Ellie, contratando professores particulares para que a menina não perdesse aula. Ele foi bastante compreensivo quando ela disse que não iria mais para a escola. Não gritou, não teimou, apenas fez com que ela se sentisse, pelo menos, acolhida. Ellie aceitou a sugestão sobre ter aulas em casa, porque lá era o lugar em que Ellie podia sentir seus pais e podia ser, em poucos momentos, ela mesma.

Tomas fazia todas as refeições. Contratou uma empregada para que a casa se mantivesse limpa e de vez em quando saía para ir ao mercado ou simplesmente para se distrair. Ele também trabalhava como professor particular de literatura e redação e sempre combinava com Ellie o horário que voltaria para que ela não pensasse que ele estaria abandonando-a: “Ellie, daqui a pouco estou de volta. Você tem meu número, não se preocupe. Trancarei as portas e qualquer coisa me ligue se precisar de algo. Não vou longe, combinado? ”. “Eu sei. Eu sei”. “Ótimo, até mais! ”.

Havia se passado um mês.

Após dias sem dormir direito, Ellie estava tão cansada que seus olhos se fecharam em questão de segundos.

O sonho era bastante nítido. Ela estava em um campo cheio de flores – para falar a verdade, cheio de girassóis. O lugar tinha uma luz muito forte e podia-se ouvir o som dos passarinhos cantarolando bem baixinho. A grama era extremamente verde e ralé. Quando Ellie entrou em seu sonho, sentiu uma leveza e tranquilidade incomuns. Ela nunca se deixava levar tão fácil assim em seus sonhos. Ellie é uma menina complicada, se é… No sonho, tinha algo muito vívido, afinal, seus pais a abraçavam tão apertado que ela queria ficar ali para sempre, envolvida naqueles braços que ela conhecia tanto, e não reclamou nem por um minuto – normalmente, ela odeia admitir e mostrar seus sentimentos assim tão facilmente. Mas Ellie sabia que era um sonho. Então por que não aproveitar o momento? Estava abraçando seus pais, era isso que importava. O sonho – provocado pelo desejo de Ellie de querer ver seus pais após uma perda terrível – não tinha nada de estranho, exceto pelo fato de parecer muito real. Ellie podia conversar e rir com seus pais de uma forma que só seria possível no mundo terreno, tecnicamente. Ela conseguia controlar o que dizia, os seus movimentos. Porém, Ellie não se deu conta disso na hora. Aproveitou e curtiu o momento, sem se importar com o amanhã.

− Como eu amo vocês! Estava com tanta saudade! – Ellie chorava lágrimas de felicidade e de tristeza ao mesmo tempo. – Pai, mãe, desculpa por tudo… Sei que deveria ter falado isso pessoalmente, mas sou tão cabeça dura… Nunca me dei conta de como a vida é curta e como nós não temos o controle de nada. Desculpem-me!

A menina ainda chorava quando sua mãe pediu que olhasse em seus olhos castanhos e, segurando a mão de Ellie calorosamente, disse:

− Ellie, querida, não temos muito tempo – Helena começou a dizer. – Sabemos o quanto você nos ama. Não precisa pedir desculpas, filha, mas agora não é hora para lamentações e perdões… Precisamos te contar uma coisa…

− Mamãe, é um sonho. Para com isso. Você estraga o momento em que posso realmente ser uma filha bacana!

− Escute com atenção. Vá ao meu quarto e abra aquela gaveta que eu nunca deixei você abrir, ok? Não pergunte nada Ellie, não mostre a ninguém. Você é a única que pode encontrar e é a única que pode abrir. Desculpe, Ellie, mas não tinha mais como. Tivemos que partir para garantir a sua segurança e seu futuro. Infelizmente, fomos capturados. A gente vai se encontrar um dia, eu prometo. Você vai entender tudo quando ler a carta. Eu e seu pai te amamos e espero que um dia você nos perdoe. Agora vá, Ellie, vá! Eles podem estar te vigiando. Cuidado. Tranque as portas e feche as janelas e as cortinas, depois você pega a carta e lê. Não deixe ninguém vê-la e não confie em ninguém. Não conte a ninguém. É o nosso segredo, você está entendendo, Ellie? Prometa a mim que você irá fazer isso, querida…

− Não estou entendendo nada que você está dizendo. Carta? Porta? Te encontrar? O quê?

E foi a vez de Moacir lhe dizer:

– Filha, é tão difícil para nós te colocarmos nessa situação. Não te pediríamos se não fosse algo realmente urgente. Precisamos que você confie em nós. Pela última vez, você consegue fazer isso? – Seu pai lhe disse tão carinhosamente e ao mesmo tempo tão amedrontador que Ellie não entendeu.

− Desde quando você fala tão sério, pai? Você está me assustando. Eu não estou entendendo nada. Faz parte do meu subconsciente, certo? Isso tudo é a minha imaginação. Eu sei disso. Não pode ser real, é tudo um sonho. Essa tal carta é uma despedida, certo? Alguma esperança? Já sei, é aquele testamento? Mas…

− Calma, filha, não precisa ficar assustada ou com medo. Não tem nada para se preocupar, apenas tome cuidados extras e faça o que nós estamos pedindo, sim? É um sonho, Ellie, mas um sonho real. Nós estamos falando com você. Acredite em nós e pegue a carta. Você é esperta e sua curiosidade falará mais alto no momento em que você acordar desse sonho. Vá, não perca mais tempo. Te amamos. Vá!

E Ellie foi puxada de volta a sua cama. Acordou numa rapidez inexplicável. Não entendia nada do que tinha acabado de acontecer. “Só posso estar sonhando mesmo. Ai, ai, foi bom ver vocês também…”. Mas quem disse que Ellie esqueceu o que sua mãe tinha dito? Quando foi comer alguma coisa no primeiro andar, Ellie sentiu algo estranho. Jurava que tinha visto alguém na janela da cozinha. Como estava sozinha, não queria averiguar. No entanto, foi por causa disso que sentiu um estalo e um calafrio. Eles podem estar te vigiando. Cuidado. Tranque as portas e feche as janelas e cortinas, depois você pega a carta e leia.

− Ai ai, não tenho o que me preocupar. O Tomas fechou tudo. Ele sempre fecha. Que sonho foi esse? – E começou a rir bem baixinho.

No entanto, mesmo que tentasse assistir sua série de televisão predileta, o sonho não saía da cabeça de Ellie. E, em um ímpeto, Ellie decidiu checar se todas as portas da casa estavam fechadas. Ellie confirmou duas vezes e decidiu ir tomar um banho bem quente depois daquela sensação de ansiedade que estava tomando conta dela, afinal, o sonho era muito real. Depois da ducha, um pensamento não deixou em paz a grande garota. Helena, mãe de Ellie, proferiu palavras mágicas. Você é esperta e sua curiosidade falará mais alto no momento que você acordar desse sonho. Ellie, mesmo em dúvida, decidiu ver a tal gaveta, apenas para ter certeza de que não estava sonhando. Afinal, ela estava sozinha (será?) em casa, então ninguém acharia que estivesse louca.

Foi ao quarto da mãe e abriu seu closet, afastou as roupas que ainda exalavam o perfume que Helena sempre passava todas as manhãs, que Ellie sabia de cor desde os seus três anos de idade. Puxou a tal gaveta e abriu a extremidade. Percebeu que estava sonhando. Só tinha meias! Meias! “Mamãe, só pode estar brincando, ou melhor, eu sou maluca, isso sim. Mas já que estou aqui, vamos ver o que tem debaixo dessas meias, fazer o quê”. Ela não ia desistir tão facilmente, tirou todas as meias e não viu mais nada. Tocou em cada extremidade da gaveta e nada. Até que, na parte superior da gaveta, deparou-se com uma oscilação na madeira. Ellie apertou, e nada. Deu um soco, e nada. Continuou tateando a gaveta e achou outra oscilação no canto esquerdo inferior. Apertou e ouviu-se um clique. A parte superior despencou e uma portinhola se abriu, deixando cair nada mais, nada menos que uma carta.

− Não, não, não pode ser. Hahahahahaha. Estou ficando louca. LOUCA! Só pode ser isso. É uma coincidência terrível. Que coisa!!! Ai, ai, se eu contasse a alguém, ninguém acreditaria! Abro ou não abro? Ah, ótimo, estou falando sozinha (será?), só posso estar maluca mesmo. Mas, quer saber de uma coisa? Já estou aqui mesmo, então o que custa abrir e ler o que está escrito? – Apanhou a carta e abriu-a, desconhecendo completamente o conteúdo.

“Ellie querida, aposto que você conseguiu encontrar esta carta. Fico feliz, quer dizer, eu e seu pai ficamos. Se você está lendo esta carta, você tem noção que algo aconteceu conosco. Não fique assim. Estamos bem, em algum lugar. E nunca se esqueça de que amamos você, muito. Temos de lhe contar uma coisa, Ellie. Você deve estar assustada, mas mantenha a calma, não conte a ninguém o que você irá ler, muito menos pense que você está louca. Você entenderá um dia. Quer dizer, vai começar a entender agora.

Ellie, o que queremos dizer é que você está pronta. Depois de anos, minha filha, podemos lhe dizer que você está muito preparada. Muita gente depende de você e você não pode decepcioná-los. É o seu destino. Nós iremos te guiar. Estava tão ansiosa para isso! Filha, bem-vinda ao Mundo Lumni! Nós precisamos de você aqui. Na verdade, é o Mundo Lumni que precisa de você. Vá até o porão e encontre um portal. Não posso lhe dizer onde está. É contra as regras. Apenas os iluminados conseguem encontrá-lo, por isso, encontre! Venha nos salvar! Você é forte e conseguirá, eu sei. Não traga nada. Filha, está preparada para uma aventura e uma vida cheia de surpresas e sacrifícios?

Te esperamos, ansiosamente. Ah! Não perca tempo, venha o mais rápido possível, é meio que urgente!

Mamãe e Papai”.

− Oi? – foi a única palavra que saiu da boca de Ellie. Ela congelou quase que instantaneamente no momento em que acabou de ler a carta. Ela absorveu todas as palavras, mas não entendeu nada. Ellie não movia um músculo sequer, sua respiração estava ofegante e seus dedos tremiam. A carta caiu no chão, e Ellie ficou estática até ouvir e ver uma pessoinha, bem inteligente e bem interessante ao seu lado agachado, acariciando seu ombro direito.

– Não tem ninguém aqui. Não tem ninguém aqui… Meu deus, tem alguém aqui! – disse olhando espantada para a criança. – QUEM É VOCÊ? COMO VOCÊ ENTROU AQUI? – Após dizer isso, Ellie sentiu sua cabeça girar e seu corpo entrar em um estado de transe, seus olhos se fecharam e em câmera lenta, caiu no chão, inconsciente.

Ah! Para quem não sabe, essa pessoinha de quem a Ellie morreu de medo é o Dom. É o amigo imaginário que a Ellie não sabia ainda que existia. Há 16 anos ele aguardou esse momento. Só que ela nunca soube nada sobre ele; Helena e Moacir garantiram isso. Mas chegou a hora de ela conhecer o Dom. Ou será que ela já ouviu e viu muita coisa por um dia? Que nada! Ele não via hora de conversar com ela. Helena jamais o deixou livre: “Caso aconteça algo conosco e quando ela estiver pronta ”.

Chegou a hora.

 

 

[1] Claro que com 16 anos Ellie não poderia morar sozinha. Um tutor foi selecionado para que cuidasse dela até que ela atingisse a maioridade. O nome dele é Tomas. Eles não se davam muito bem. Ele tinha 39 anos e só queria saber de trabalho, por isso mesmo que não conversavam muito. Ele transformou o escritório do pai de Ellie em um quarto para ele, de modo que conseguiria organizar sua vida em um pequeno espaço. Também não pedia por muito. Ele ficava na dele. Ellie ficava na dela. Faltavam apenas dois anos para que ele saísse desse emprego que não o deixava feliz e para que Ellie pudesse organizar a sua vida da forma como ela gostaria.

 

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